lilith









Entrelacei meus dedos com o mato seco que cresce na beira da estrada

As folhas ásperas roçam nas juntas dos dedos

Atrás do arbusto, uma mulher nua

Uma mulher nua e sua pele é branca sobre o chão de areia marrom

Os cabelos são vermelhos como a memória de um incêndio correndo pela mata

Ela está deitada, olhos fechados, mas seus olhos são verdes

Aquela é Lilith, a mulher demônio

Me ajoelho ao seu lado, correndo os dedos pelo seu corpo

Como se fosse sentir algo menos humano que a imagem prostrada a minha frente

Entrelaço meus dedos nos cabelos ondulados que crescem do escalpo daquela mulher

Os fios espessos roçam nas juntas dos dedos

E não há nada além de areia por trás deles

Os lábios mortos daquela mulher demônio me dizem tanto

Sem vida, sem som, sem palavras

Ela sussurra perto do meu ouvido

Ela me conta dos meus desejos

Ela morde meu coração

Dentes afiados

E lambe

E a cena que se desenrola na minha cabeça

Transcende o erotismo

Pois é o próprio eros

De mãos brancas abertas e frouxas sobre a terra marrom

Ela esmaga meu coração, ainda batendo

Suas unhas ferozes

Unhas de demônio

Unhas como presas de serpente

Fincadas em meu coração

E a dor é tão real que me mata com um último desejo engasgado na garganta


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