Boxe

E as feridas
Ardem, a sensação subindo pelo corpo
Sangue e suor salgado se misturam
A faixa molhada de rosa
Enrolada uma duas três
Vezes em volta do punho
Cada soco é um pensamento
Morto no meio do caminho
O sofrimento, inerte
Aceita cada um dos golpes letais
Soco dor punho sangue e sal
Ritmadamente espanca
O saco inane
Completamente desprovido de Alma
Em casa borrifa o remédio
E arde como o inferno
A dor o ardor
Mata; não o corpo, mas o que tem dentro
Ergue a cabeça, molhada de sal
Os olhos secos de sangue
A dor morta, o ardor pungente
E no espelho a frente
O inimigo
Inanimado
Inerte
Inane

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